Distrações Cognitivas e a Ilusão de Controle
Módulo de Foco e Tecnologia
A distração cognitiva no trânsito moderno ultrapassou a embriaguez como uma das principais causas de incidentes graves nas vias brasileiras. Diferente da distração visual ou manual, a distração cognitiva ocorre quando o motorista tira a mente da tarefa de dirigir, mesmo mantendo os olhos aparentemente na pista. O uso de assistentes de voz, conversas complexas no viva-voz ou o simples ato de planejar mentalmente o dia de trabalho reduzem o campo de visão periférica, criando um fenômeno perigoso conhecido clinicamente como "cegueira por desatenção".
O uso do smartphone, mesmo fixado no painel para navegação GPS, atua como um ímã irresistível para os olhos. Estudos de segurança viária de 2026 demonstram que desviar o olhar para ler uma notificação rápida leva, em média, 4,6 segundos. Se o veículo estiver transitando a 90 km/h, isso equivale a atravessar um campo de futebol inteiro com os olhos vendados. A ilusão de controle faz com que o motorista subestime o risco altíssimo dessas microdistrações contínuas.
Sistemas modernos de infoentretenimento instalados de fábrica também representam um desafio de segurança. Telas sensíveis ao toque exigem coordenação motora fina e contato visual direto, diferentemente dos antigos botões físicos que podiam ser operados pela memória tátil do condutor. Para manter a condução defensiva intacta, a configuração de rotas de GPS, a escolha de playlists ou ajustes complexos de climatização devem ser realizados estritamente com o veículo estacionado, antes de iniciar o trajeto.
A solução definitiva para a distração tecnológica é o estabelecimento de um "modo de condução" mental e físico. Silenciar notificações não essenciais, programar o destino previamente e instruir passageiros a auxiliar na navegação são medidas profiláticas essenciais. Dirigir exige a totalidade da capacidade de processamento do cérebro; ao fragmentar essa atenção, o motorista abre mão da sua principal ferramenta de sobrevivência na via: o tempo de reação antecipada.